A atiradora que abriu fogo contra uma escola católica em Minneapolis na quarta-feira, 27, parecia conhecer bem a escola.
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Segundo as autoridades, acredita-se que Robin Westman, que atirou contra os vitrais da igreja e matou duas crianças, frequentou a escola na Igreja Católica da Anunciação.
Sua mãe, Mary Grace Westman, trabalhou no escritório comercial da igreja por cinco anos antes de se aposentar em 2021. E em um vídeo postado nas redes sociais, a atiradora mostrou um desenho feito à mão do interior da Anunciação.
Westman, munida de três armas, pareceu escolher o momento com cuidado. Ela bloqueou as portas da igreja enquanto a primeira missa do ano letivo era realizada, afirmou a polícia.
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Mas é difícil entender o que levou Westman a atacar antes de se matar, apesar dos escritos e vídeos sombrios e violentos que ela deixou para trás.
O ataque matou uma criança de 8 anos e uma de 10 anos nos bancos da igreja e feriu outras 17 pessoas, de acordo com o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara. As três armas foram compradas legalmente, disseram policiais.
Westman, de 23 anos, morava em um prédio de três andares em um complexo em Richfield, subúrbio ao sul da igreja. Ela trabalhou em uma loja local de cannabis por vários meses no início deste ano.
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Aos 17 anos, ela entrou com um processo judicial para mudar seu primeiro nome, de Robert para Robin. O documento também foi assinado pela mãe. O documento observa que Westman “se identificou como mulher e quer que o nome reflita essa identificação”.
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Nas redes sociais, alguns ativistas conservadores se aproveitaram da identidade de gênero para retratar amplamente as pessoas transgênero como violentas ou doentes mentais. A polícia não forneceu nenhum motivo para o ataque, mas o extenso histórico de mídia social de Westman era um catálogo contraditório de raiva e queixas.
Em vídeos que ela postou, aparentemente em fluxo de consciência, ela se concentrou em armas, violência e atiradores em escolas. Ela exibiu seu próprio estoque de armas, balas e o que parecem ser dispositivos explosivos, rabiscados com linguagem antissemita e racista, além de ameaças ao presidente Donald Trump.
Os vídeos também mostram páginas de um diário, com entradas longas descrevendo ódio por si mesma, violência contra crianças e um desejo de se machucar. As entradas do diário são quase inteiramente escritas em inglês, mas usando letras cirílicas. Um adesivo no diário exibe bandeiras LGBTQ e transgênero com uma arma e o slogan “Defenda a Igualdade”. A polícia disse que os vídeos foram retirados do ar.
O alvoroço da direita sobre a identidade de gênero de Westman ecoou a reação politizada ao tiroteio em massa de 2023 na The Covenant School, em Nashville, que foi cometido por um ex-aluno que a polícia disse ser transgênero.
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Em uma entrevista coletiva, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, um democrata, pediu ao público que evite usar pessoas transgênero como bodes expiatórios após a tragédia.
“Tenho ouvido muito ódio direcionado à nossa comunidade trans”, disse ele. “Qualquer um que esteja usando isso como uma oportunidade para difamar nossa comunidade trans — ou qualquer outra comunidade por aí — perdeu o senso de humanidade.”
“Não deveríamos agir com base no ódio por ninguém — deveríamos agir com base no amor pelos nossos filhos”, acrescentou. “Crianças morreram hoje. Isso precisa ser sobre elas.”